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Julie e Julia

E devo começar esse post dizendo que, quando eu tinha meus 14, 15,16 anos eu vivia praticamente a base de comédias românticas da Sandra Bullock que minhas amigas amavam, e eu achavam bem divertidas (amar mesmo, eu amava “10 coisas que eu odeio em você” porque a Julia Stiles gostava de Bikini Kill e lia Sylvia Plath), mas meus filme preferidos eram “Clube da Luta” e “Cãe de Aluguel”. Até o dia em que a Sofia Copolla entrou na minha vida, via “Encontros e Desencontros”, mas essa é toda uma outra história.

Esse prólogo é só pra dizer que, bom, em termos de cinema eu sou eclética. O que deve ser o motivo de no atual momento eu estar obcecada com Nouvelle Vague, Wong-Kar Wai e “Bastardos Inglórios”, mas enfim: Julie e Julia. “Julie e Julia” é um filme leve, tão leve que os maiores conflitos são um boeuf bourgingnon queimado e uma convidada super esperada que não apareceu para o jantar. É claro que tem a luta de Julia para publicar seu livro e não ser apenas uma dona de casa da década de 50, assim como a frustração generalizada de Julie, mas esses “dramas” são panos de fundo do filme, são a base onde tudo será desenvolvido, como a massa da torta (dado o filme de que estamos falando, a metáfora alimentícia é conveniente). Então, Julie tem 30 anos um emprego frustrante e amigas super-bem sucedidas (a se pensar: a enorme quantidade de filmes independentes americanos falando de gente frustrada aos 30 anos) e decide fazer um blog sobre a experiência de cozinhas as 524 receitas do livro da Julia Child em um ano. A proposta é finalmente terminar algo que ela começou, finalmente ter um projeto na vida.

Daí que a coisa vai indo, sabe-se lá como as pessoas começam a entrar no blog da Julie e final feliz para nossa futura escritora. Tudo isso você já sabe da sinopse. Então assim, sim é previsível, sim em um plano você já pode adivinhar o seguinte, sim lá pelas tantas a Julie tem uma crise matrimonial por sua falta de tempo. Mas é leve, e é adorável. E é tão adorável que você nem liga. E não é só adorável por que as neuroses da Julie são iguaizinhas (mas iguaizinhas mesmo!) as minhas e talvez as suas, mas porque de vez em quando é bom que a vida seja leve. Mas o que me fez gostar mesmo do filme foi pensar” por que raios eu faço dieta se comer é tão bom?” Nada muda tão drasticamente na minha vida se eu for 3 ou 4 kilos mais gorda ou mais magra (ah sim, essa é mais uma obsessão atual, repare que eu sou bem obsessiva), mas muda quando eu como sem culpa, com prazer. É como fazer qualquer coisa sem culpa, assistir tv, ficar enrolando em blogs de moda na internet ou ver um filme levinho no cinema sexta a tarde. Tudo isso vai contra aquilo que acho que deveria estar fazendo no momento para ser aquela que eu acho que deveria querer ser. E exatamente por isso soa tão bem.

No final o filme é previsível e um tanto auto-ajuda do tipo que meu ser que leu Adorno tem convulsões, mas é leve. É leve para gente poder continuar vivendo e aguentando mundo que todo mundo nunca esquece que não é bem pesado.

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