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Posts Tagged ‘filmes’

-I’m stuck… does it get any easier?

-No, yes, it get’s easier.

-Oh yeah? Look at you.

-Thank you! The more you know who you are and what you want the least… you let things upset you.

-yeah… I just don’t know what I’m supposed to be, you know. I tried being a writer, but… I hate what I write. I tried taking pictures, but they were all so mediocre. I guess every girls goes trough photography phase, you know, like horses, taking dumb pictures of your feet.

-You’ll figure it out, I don’t worry about you. Keep writing

You’re not hopeless

Lost in translation

Ladies and gentleman Mr. Bob Harris

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Proibido Fumar

“Proibido Fumar” é o filme novo da Ana Muylaert, aquela do “Durval Discos”, o filme foi super aclamado em Brasília, a crítica não cansa de elogiar a Glória Pires, bla, bla, bla… sinceramente? Não Gostei.

Engraçado que é o primeiro filme que eu venho aqui dizer com todas as letras que não gostei. A maioria eu gosto, apesar de um ou outro problema. Não esse, esse eu não gosto, apesar de um ou outro ponto forte.

Ponto forte: ela consegue fazer personagens clichês que soam reais. A velhinha que quer aprender violão porque “é tão bonito” (se você já fez francês sabe exatamente o que eu to falando), a mulher que adora Chico Buarque porque “ele é politizado, e ele entende a mulher assim, sabe?” clichê, mas com certeza você conhece alguém assim (eu conheço, bleh). Mas por outro lado ela faz clichês que soam extremamente forçados, como o Max, personagem do Paulo Miklos (atuando bem aliás, mas a km de distância de “O Invasor”), o cara que não para de falar da ex. Eu entendo que ela queira trabalhar em uma chave do senso comum, legal, as vezes funciona, as vezes não. E o que não funciona chama mais atenção do que o que funciona.

Na verdade, para mim, o maior problema do filme é esse: ela quer fazer um filme sobre o comum, o ordinário, sobre o amor sem glamour que as pessoas levam adiante apenas para não ficarem sozinhas. O problema é que os personagens dela são esquisitos, não são gente comum! Veja, que tipo de mulher de 40 anos, por mais estranha, solteirona e infantil que seja usa maria-chiquinha? E mora em um apartamento que a cenografia quer dizer ser o apartamento da mãe que ela não mudou nada, mas não parece um apartamento de uma velha senhora que já morreu, mas uma exposição de estampas florais. Para falar de gente comum, vamos ser comum, não estilizados, há milhões de filmes falando de gente de verdade muito melhor do que esse.

E na realidade, eu não sei quem vai ao cinema para ver simplesmente um retrato, sem opinião, sem crítica, sem nem mesmo exaltação. Cadê a opinião da diretora sobre essa tal classe média decaída que ela está retratando? No filme não está. E se ela não acha nada, quis simplesmente mostrar esse mundo, então pra que o filme? Se ela tem uma opinião, mas não quis expressar para não conduzir o espectador, mais uma vez, pra que o filme? No final é um negócio que se arrasta por 80 minutos (sim, só uma hora e vinte, mas parece muito mais) e você sai do cinema do mesmo jeito que entrou.

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Como eu disse no post anterior, em termos de cinema eu sou meio eclética, o que torna esse blog meio eclético. Se na sexta a tarde eu estava leve vendo “Julie e Julia” a meia noite e meia de sábado pra domingo enfrentei uma longa fila para ver “O Natimorto”.

Confesso que eu não fazia a menor ideia do que se tratava o filme. Sabia que era baseado em um livro do Mutarelli (e eu adorei “O Cheiro do Ralo”, o filme, não li o livro) e eu tinha visto o diretor em uma mesa sobre filmes de baixo orçamento na semana da comunicação. Eu gostei quando ele disse que tinha feito um filme com três atores e um quarto de hotel, eu gosto de filmes assim, incrivelmente simples, mas que devem dizer algo.

Então fui, desavisada, exceto de que o próprio Mutarelli aparecia no filme. E “Natimorto” é um bom filme. Percebemos desde já que títulos atrativos não são o forte do escritor, mas neste caso o natimorto do título é algo muito mais metafórico e conceitual do que o cheiro do ralo (que não deixa de ser metafórico, mas está lá, presente). O natimorto, eu pensei depois, talvez sejamos nós, nossos planos. Esses seres humanos (todos) condenados a acabar já no momento em que surgem. Não sei, apenas me parece assim.

No filme um “caça-talentos” (é o máximo de informação que temos do personagem) encontra uma soprano que vem de outra cidade para apresenta-la a um maestro. Eles tomam um café e ele a acompanha ao seu hotel, da onde diz não querer sair. Assim de repente, sem a menor explicação ele propõe a ela que vivam ali, naquele quarto, enquanto durar seu dinheiro, pois o mundo é um lugar muito cruel. Ela hesita, sente-se lisonjeada por ser eleita a única pessoa do mundo com a qual vale a pena estar, mas o mundo não lhe parece cruel. Ela o entende, conheceu sua mulher, neurótica e histérica, mas não pode realmente alcança-lo. Mas ela aceita que ele fique, enquanto ela continua com sua vida normal.

A partir daí o filme se confina e nos sufoca em um jogo estranho de tentar prever uma vida que não pode ser nada diferente daquilo, pois o personagem de Mutarelli compra cigarros todo dia e tenta ler nas imagens dos maços como será seu dia, baseando-se no conhecimento que tem de cartas de tarô. Mas como pode prever alguma coisa de um destino já tão fatídico? Não há mais que a desgraça naquele quarto de hotel, nem pra ele, nem para ela, que após um curto envolvimento com o maestro sentirá o desprezo e a dureza do mundo onde pretendia entrar. Um mundo onde apenas ele pode ser bom.

Enquanto filme, eu prefiro “O Cheiro do Ralo”, mais bem montado, mais bem decupado, mais bem conduzido em geral. Mas é inegável que a claustrofobia de “O Natimorto” confere a história um peso maior e consequentemente ao filme, que me parece patinar demais as vezes, parece ser feito com uma mão muito pouco segura, para a história perturbadora que é. Há uma incoerência de interpretação também, enquanto a mulher do personagem de Mutarelli possui uma interpretação muito natural, e ele não soa improvável devido a perturbação do personagem a moça, interpretada por Simone Spoladore, parece terrivelmente impostada, dizendo frases que soam reais em um livro, mas não quando alguém realmente as diz. É um filme arriscado, talvez demais, e derrapa um tanto.

Mas eu gosto do filme, pela vontade de filmar uma história forte e pela vontade de dizer alguma coisa apesar de todos os poréns técnicos e de linguagem. “O Natimorto” é uma vontade de comunicar, mais que a vontade de fazer um bom cinema. Talvez o filme não seja tão bom pelo que é, mas como exemplo e  possibilidade para o que deveríamos estar fazendo

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Julie e Julia

E devo começar esse post dizendo que, quando eu tinha meus 14, 15,16 anos eu vivia praticamente a base de comédias românticas da Sandra Bullock que minhas amigas amavam, e eu achavam bem divertidas (amar mesmo, eu amava “10 coisas que eu odeio em você” porque a Julia Stiles gostava de Bikini Kill e lia Sylvia Plath), mas meus filme preferidos eram “Clube da Luta” e “Cãe de Aluguel”. Até o dia em que a Sofia Copolla entrou na minha vida, via “Encontros e Desencontros”, mas essa é toda uma outra história.

Esse prólogo é só pra dizer que, bom, em termos de cinema eu sou eclética. O que deve ser o motivo de no atual momento eu estar obcecada com Nouvelle Vague, Wong-Kar Wai e “Bastardos Inglórios”, mas enfim: Julie e Julia. “Julie e Julia” é um filme leve, tão leve que os maiores conflitos são um boeuf bourgingnon queimado e uma convidada super esperada que não apareceu para o jantar. É claro que tem a luta de Julia para publicar seu livro e não ser apenas uma dona de casa da década de 50, assim como a frustração generalizada de Julie, mas esses “dramas” são panos de fundo do filme, são a base onde tudo será desenvolvido, como a massa da torta (dado o filme de que estamos falando, a metáfora alimentícia é conveniente). Então, Julie tem 30 anos um emprego frustrante e amigas super-bem sucedidas (a se pensar: a enorme quantidade de filmes independentes americanos falando de gente frustrada aos 30 anos) e decide fazer um blog sobre a experiência de cozinhas as 524 receitas do livro da Julia Child em um ano. A proposta é finalmente terminar algo que ela começou, finalmente ter um projeto na vida.

Daí que a coisa vai indo, sabe-se lá como as pessoas começam a entrar no blog da Julie e final feliz para nossa futura escritora. Tudo isso você já sabe da sinopse. Então assim, sim é previsível, sim em um plano você já pode adivinhar o seguinte, sim lá pelas tantas a Julie tem uma crise matrimonial por sua falta de tempo. Mas é leve, e é adorável. E é tão adorável que você nem liga. E não é só adorável por que as neuroses da Julie são iguaizinhas (mas iguaizinhas mesmo!) as minhas e talvez as suas, mas porque de vez em quando é bom que a vida seja leve. Mas o que me fez gostar mesmo do filme foi pensar” por que raios eu faço dieta se comer é tão bom?” Nada muda tão drasticamente na minha vida se eu for 3 ou 4 kilos mais gorda ou mais magra (ah sim, essa é mais uma obsessão atual, repare que eu sou bem obsessiva), mas muda quando eu como sem culpa, com prazer. É como fazer qualquer coisa sem culpa, assistir tv, ficar enrolando em blogs de moda na internet ou ver um filme levinho no cinema sexta a tarde. Tudo isso vai contra aquilo que acho que deveria estar fazendo no momento para ser aquela que eu acho que deveria querer ser. E exatamente por isso soa tão bem.

No final o filme é previsível e um tanto auto-ajuda do tipo que meu ser que leu Adorno tem convulsões, mas é leve. É leve para gente poder continuar vivendo e aguentando mundo que todo mundo nunca esquece que não é bem pesado.

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Karen Blixen

Karen Blixen sabia ver a beleza do mundo. A beleza da lua na noite africana, a poesia da fala dos kikuios e a magia de estar em lugares onde nunca esteve. Eu sempre achei que se precisava conhecer bem um lugar para escrever personagens que caminhem por suas ruas, mas ela me provou, com seus contos sobre a Pérsia e a China que se você inventar com beleza o suficiente, ninguém irá perceber.

Eu estou pela página 200 de “A Fazenda Africana”, e me dói cada vez que penso que ela vai deixar aquele altiplano. Mas também acabei de ver “Out of Africa”, o filme, aquele com a Maryl Streep bem novinha, na televisão. É um bom filme. Um bom filme para um livro extraordinário. E uma história delineada para alguém que nada mais fez do que registrar sensações. Concretizar a beleza do mundo.

Mas então eu ouço da minha mãe “ela teve uma vida dura”. Talvez, mas vejamos, era 1918 quando ela se separa e assume sozinha o controle de sua fazenda de café no Quênia, quando ela conduz problemas infinitos, da morte acidental de crianças a números de venda, quando conhece de mulheres muçulmanas a lobos do mar dinamarqueses. Quando ela se apaixona por um homem por demais livre. É claro que foi dura, porque ela esteve sozinha com sua vida entre as mãos.

Então faz sentido dizer isso? Eu apenas acho que a vida dela foi bela. Tão bela quanto Lulu, sua linda e arredia gazela. Eu acho pequeno achar que foi triste a vida dela. Foi linda, mas triste teria sido se não tivesse sido dura.

No fundo, esse post não é diferente do anterior, apenas mais poética.

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“O Pequeno Traidor”

“O Pequeno Traidor” é um adaptação de “Pantera no Porão”, do Amos Oz, livro que aliás eu não li. Fugindo um pouco do assunto, mas eu tenho uma dívida bem grande com o Amos Oz. Enfim, o filme se passa em 47, quando Israel ainda era a Palestina e era ocupado pelos britânicos e conta a história de um garotinho que faz amizade com um soldado inglês.

O filme é uma graça, super sensível, bem conduzido e sutil. Mas não foi nada disso a melhor parte dele. A melhor parte foi a sutileza da crítica, o olhar clínico que eu suponho seja proveniente do Amos Oz. Só fazendo um adendo, o escritor foi um dos fundadores do movimento Shalom Israel para promover a paz e a coexistência no Oriente Médio.

O filme põe o dedo na ferida da maneira mais contundente e delicada possível. É genial quando a comunidade judaica fica enlouquecida e quer levar Proffy (o garotinho) a julgamento apenas porque ele é amigo de um soldado inglês. Está tudo ali! o preconceito com o diferente, a mania de vítimas e perseguição a incapacidade de ver a humanidade no inimigo. Aqueles que se proclamam pela liberdade são capazes de isolar um garotinho de 11 anos somente pela sua incapacidade de compreender sua amizade com o soldado inimigo. Não lhes passa pela cabeça que o soldado e o garoto possam respeitar alguém que sabem pensar diferente.

Há ainda, de forma um pouco mais pincelada a questão dos árabes. Mais de um personagem, em especial o Sargento Dulop (que faz amizade com Proffy) diz “os árabes serão mais fracos, serão como os judeus agora. E vocês não terão paz nessa terra”. Eles alertam para a negligência que se faz dos árabes no momento de fundação de países, como se fossem apenas um pequeno problema a se lidar depois. O ódio pelo inimigo agressivo gera uma visão curta, há crença de que apenas com a saída dos ingleses tudo estaria bem perpetua a violência. O apego a terra não os torna nada melhor do que nenhum perseguidor. Mas é preciso coragem para dizer tudo isso. Mesmo que sutilmente.

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