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Posts Tagged ‘Karen Blixen’

A Fazenda Africana

Eu já falei de Karen Blixen há pouquinho tempo atrás, porque todo o tempo que eu estava lendo “A Fazenda Africana” eu fiquei obcecada com ela. Com o ohar dela pelos nativos, com a força, a independência dela, a paixão sem medidas pela África e ao mesmo tempo uma maneira tão inocente de se agarrar aos costumes europeus.

“A Fazenda Africana” é repleto dos melhores personagens, o Kamante fala as coisas de uma forma tão fora do nosso pensamento, o Farah é mais nobre e mais digno que os reis que ela recebe, o líder kikuio que usava pele de leão enquanto andava de carro, o espírito livre do Denys Finch-Haton. Mas eu continuava obcecada com ela, Karen Blixen.

As vezes eu venho aqui escrever mais ou menos tecnicamente, com alguma propriedade, sobre filmes. Mas eu não tenho nenhuma propriedade para falar de livros, exceto o quanto eu gosto deles. E eu gosto muito desse “Out of Africa”, não como eu gosto Dostoievski, que grita na minha cara o quanto ele é um gênio, eu gosto da Karen Blixen afetivamente, embora ela seja também genial, durante a leitura do “Anedotas do Destino”, mas principalmente desse livro ele cresceu em mim como alguém que eu amo, amo mesmo morta e dinamarquesa e sei lá… amo porque ela torna o mundo belo. E não de uma maneira falsa-otimista-poliana (eu detesto a Poliana!), mas vendo a beleza no mundo como ele é, na morte e na dor.

Então de uma certa forma a Karen Blixen me ganhou pela identificação. Pela identificação em ver a beleza no mundo assim, exatamente como ele é, e amar a vida exatamente como ela é. Reconhecendo que ela é bem ruim na maior parte do tempo, mas amando-a por um simples amor às coisas belas.

Mas é preciso fazer jus e dizer que ela escrever maravilhosamente, de uma forma tão simples, tão dela, com metáforas que ninguém mais no mundo poderia ver e tão bem arranjado. Sabe um prédio do Niemeyer? Tão simples que é super complexo? Mais ou menos assim. E no final, quando ela deixa a África (não estou contando final nenhum, o livro chama “Out of Africa” oras) é a coisa mais triste que eu já li em toda a minha vida de leitora assídua de Charles Dickens! Não porque ela se lamente, muito pelo contrário, mas porque ela ama tanto aquele altiplano, porque ela só tem coisas lindas a dizer e ela vai ter que deixá-lo inevitavelmente. E aí está a beleza, em aceitar o trágico. Para Karen Blixen a vida não é ruim, é trágica.

Mas em bem pouco tempo minha nova obsessão vai ser Emily Dickinson, aguardem os próximos capítulos.

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