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Posts Tagged ‘leveza’

Feliz Ano Novo

No fim de 2008 eu achei que 2009 seria o ano que eu conseguiria tudo. Era o ano que anunciava as mudanças, era o ano do qual eu esperava muito.

2009 começou bem, começou sob os fogos de copacabana, com meu namorado e meu melhor amigo em um dos melhores reveillons que eu já tive. Mas em 2009 nada aconteceu, pelo menos nada do que eu esperava que fosse acontecer. Algumas coisas mudaram, eu mudei, eu vi lugares que nunca tinha visto e fui feliz. Mas fui feliz pela simples sensação de que era, porque foi um ano repleto de decepções doloridas, de dias ruins, de aniversários ruins.

Em 2010 eu estou em Nova York. Sozinha, eu não esperava nada do ano novo. O melhor amigo voltou pra longe, a melhor amiga foi para o mundo maravilhoso do intercâmbio e eu vim, ver o mundo assim, aos pedaços deixando lá em casa a única pessoa com quem eu realmente queria estar hoje.

A bola estava lá, a bola não estava mais lá, acabou o ano em NY. Acabou meu ano. Eu gosto muito de ano-novo, mas nesse, talvez pela perda da noção de tempo que a gente sempre tem quando viaja, eu não estava ansiosa, não esperava nada e pouco teria me importado de dormir. Eu sinto saudades, quero voltar pra casa, mas estou em paz. Digo, em paz com esse ano que vem. Porque dele eu nada espero.

Eu nada espero de 2010 porque é o ano em que as coisas tem que mudar, independente de mim ou de pareceristas para os quais eu desejo a morte. Em 2010 as coisas vão acabar, e eu lembro sempre daquela música que diz “closing time, every new begining comes for some other beginings end”. Eu não posso fazer nada sobre 2010, nada pode fazê-lo um ano como os outros. Talvez não seja bom, mas não vai ser o mesmo e isso me é suficiente.

Eu te espero 2010, mas eu não corro para você.

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Julie e Julia

E devo começar esse post dizendo que, quando eu tinha meus 14, 15,16 anos eu vivia praticamente a base de comédias românticas da Sandra Bullock que minhas amigas amavam, e eu achavam bem divertidas (amar mesmo, eu amava “10 coisas que eu odeio em você” porque a Julia Stiles gostava de Bikini Kill e lia Sylvia Plath), mas meus filme preferidos eram “Clube da Luta” e “Cãe de Aluguel”. Até o dia em que a Sofia Copolla entrou na minha vida, via “Encontros e Desencontros”, mas essa é toda uma outra história.

Esse prólogo é só pra dizer que, bom, em termos de cinema eu sou eclética. O que deve ser o motivo de no atual momento eu estar obcecada com Nouvelle Vague, Wong-Kar Wai e “Bastardos Inglórios”, mas enfim: Julie e Julia. “Julie e Julia” é um filme leve, tão leve que os maiores conflitos são um boeuf bourgingnon queimado e uma convidada super esperada que não apareceu para o jantar. É claro que tem a luta de Julia para publicar seu livro e não ser apenas uma dona de casa da década de 50, assim como a frustração generalizada de Julie, mas esses “dramas” são panos de fundo do filme, são a base onde tudo será desenvolvido, como a massa da torta (dado o filme de que estamos falando, a metáfora alimentícia é conveniente). Então, Julie tem 30 anos um emprego frustrante e amigas super-bem sucedidas (a se pensar: a enorme quantidade de filmes independentes americanos falando de gente frustrada aos 30 anos) e decide fazer um blog sobre a experiência de cozinhas as 524 receitas do livro da Julia Child em um ano. A proposta é finalmente terminar algo que ela começou, finalmente ter um projeto na vida.

Daí que a coisa vai indo, sabe-se lá como as pessoas começam a entrar no blog da Julie e final feliz para nossa futura escritora. Tudo isso você já sabe da sinopse. Então assim, sim é previsível, sim em um plano você já pode adivinhar o seguinte, sim lá pelas tantas a Julie tem uma crise matrimonial por sua falta de tempo. Mas é leve, e é adorável. E é tão adorável que você nem liga. E não é só adorável por que as neuroses da Julie são iguaizinhas (mas iguaizinhas mesmo!) as minhas e talvez as suas, mas porque de vez em quando é bom que a vida seja leve. Mas o que me fez gostar mesmo do filme foi pensar” por que raios eu faço dieta se comer é tão bom?” Nada muda tão drasticamente na minha vida se eu for 3 ou 4 kilos mais gorda ou mais magra (ah sim, essa é mais uma obsessão atual, repare que eu sou bem obsessiva), mas muda quando eu como sem culpa, com prazer. É como fazer qualquer coisa sem culpa, assistir tv, ficar enrolando em blogs de moda na internet ou ver um filme levinho no cinema sexta a tarde. Tudo isso vai contra aquilo que acho que deveria estar fazendo no momento para ser aquela que eu acho que deveria querer ser. E exatamente por isso soa tão bem.

No final o filme é previsível e um tanto auto-ajuda do tipo que meu ser que leu Adorno tem convulsões, mas é leve. É leve para gente poder continuar vivendo e aguentando mundo que todo mundo nunca esquece que não é bem pesado.

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