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Posts Tagged ‘liberdade’

Eu vou voltar pra cá, é só que as coisas estão e não estão acontecendo e tudo isso me paralisa. Eu tenho um stop-motion pra fazer, em conjunto com um povo bem legal, e em breve uma coluna em uma revista da internet (a ser divulgada aqui mais tarde). Ao mesmo tempo eu espero ligações para entrevistas de estágios e a minha gatinha que ainda não chegou.

Eu poderia vir aqui e falar de como eu nunca esperei estar aqui onde estou agora, e de como a menina que eu fui 5 anos atrás teria desprezo por mim. Poderia… mas ao mesmo tempo eu acho que a menina que eu fui 5 anos atrás também sentiria uma pontinha de orgulho porque talvez as coisas ainda aconteçam.

Eu já não escrevo daquele jeito lindo e metafórico de antes, provavelmente porque eu já não tenho muito a esconder uma vez que, e essa foi a descoberta mais dolorosa dos últimos tempo, eu não tenho nada a perder. Eu queria escrever como antes, eu poderia dizer qualquer coisa banal da maneira mais bonita possível. Hoje em dia eu tenho que de fato dizer alguma coisa.

Eu quero voltar pra cá, mas eu não sei exatamente o que ainda faz sentido escrever.

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Faz tempo que não aparecia um conto por aqui, mas a verdade é que eu ando com poucas opções nesse sentido… Mas vamos lá (feedback nesse post por favor!!)

Infância

Ela disse que era algo que havia acontecido há muito tempo, o que me soou estranho, porque ela parecia jovem demais para ter memórias de muito tempo atrás.

Mas ela tinha mesmo um ar cansado, velho, tão velho que eu quase podia ver pequenas rugas em volta de seus olhos verdes. Mas talvez fosse apenas porque ela sorria com os olhinhos muito apertados.

É engraçado, porque ela era também uma garotinha. Ela saltitava um pouco enquanto andava, batia palmas quando sorria e tinha toda uma leveza. Mas talves fosse a leveza de quem não tem laços. De alguém cujos pés não chegam nunca a tocar o chão.

Eu era muito pequena, ela continuou, e eu reparei em como ela ainda era bastante pequena. Eu era muito pequena, usava um vestido rosa acho, provavelmente rosa, eu estava na fase do rosa. E pequenos sapatinhos brancos de boneca, minúsculos. Acho que a visão desses sapatos nunca me deixou.

Eu pisava, um após o outro, amassando levemente a grama e ouvindo como por trás de um vidro o ruído das crianças que riam e brincavam na festa de aniversário. Me aproximei de uma outra menina, uma amiguinha, algo como minha melhor amiga na época.

Eu lhe perguntei porque fazíamos aniversário, ela respondeu que era porque crescíamos. Sim, eu disse, mas por que “anos”? E por que esses números e não outros? Aliás, por que números? Ela deu de ombros. Porque sim, porque é assim. Eu parei e pensei, fiquei quieta por alguns segundos, percebendo pelo olhar dela que eu deveria me contentar com essa resposta.

Foi uma lição importante aquele dia, ela disse, desviando os olhos de mim e focando o nada, um pouco triste. Essa garota foi minha melhor amiga por muitos anos. E por que não mais? Ela aprendeu a lição dela bem demais.

(ouvindo “The Fragile” *desenha um coração cheio de amor por NIN*)

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Karen Blixen

Karen Blixen sabia ver a beleza do mundo. A beleza da lua na noite africana, a poesia da fala dos kikuios e a magia de estar em lugares onde nunca esteve. Eu sempre achei que se precisava conhecer bem um lugar para escrever personagens que caminhem por suas ruas, mas ela me provou, com seus contos sobre a Pérsia e a China que se você inventar com beleza o suficiente, ninguém irá perceber.

Eu estou pela página 200 de “A Fazenda Africana”, e me dói cada vez que penso que ela vai deixar aquele altiplano. Mas também acabei de ver “Out of Africa”, o filme, aquele com a Maryl Streep bem novinha, na televisão. É um bom filme. Um bom filme para um livro extraordinário. E uma história delineada para alguém que nada mais fez do que registrar sensações. Concretizar a beleza do mundo.

Mas então eu ouço da minha mãe “ela teve uma vida dura”. Talvez, mas vejamos, era 1918 quando ela se separa e assume sozinha o controle de sua fazenda de café no Quênia, quando ela conduz problemas infinitos, da morte acidental de crianças a números de venda, quando conhece de mulheres muçulmanas a lobos do mar dinamarqueses. Quando ela se apaixona por um homem por demais livre. É claro que foi dura, porque ela esteve sozinha com sua vida entre as mãos.

Então faz sentido dizer isso? Eu apenas acho que a vida dela foi bela. Tão bela quanto Lulu, sua linda e arredia gazela. Eu acho pequeno achar que foi triste a vida dela. Foi linda, mas triste teria sido se não tivesse sido dura.

No fundo, esse post não é diferente do anterior, apenas mais poética.

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