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Posts Tagged ‘vida’

-I’m stuck… does it get any easier?

-No, yes, it get’s easier.

-Oh yeah? Look at you.

-Thank you! The more you know who you are and what you want the least… you let things upset you.

-yeah… I just don’t know what I’m supposed to be, you know. I tried being a writer, but… I hate what I write. I tried taking pictures, but they were all so mediocre. I guess every girls goes trough photography phase, you know, like horses, taking dumb pictures of your feet.

-You’ll figure it out, I don’t worry about you. Keep writing

You’re not hopeless

Lost in translation

Ladies and gentleman Mr. Bob Harris

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Eu vou voltar pra cá, é só que as coisas estão e não estão acontecendo e tudo isso me paralisa. Eu tenho um stop-motion pra fazer, em conjunto com um povo bem legal, e em breve uma coluna em uma revista da internet (a ser divulgada aqui mais tarde). Ao mesmo tempo eu espero ligações para entrevistas de estágios e a minha gatinha que ainda não chegou.

Eu poderia vir aqui e falar de como eu nunca esperei estar aqui onde estou agora, e de como a menina que eu fui 5 anos atrás teria desprezo por mim. Poderia… mas ao mesmo tempo eu acho que a menina que eu fui 5 anos atrás também sentiria uma pontinha de orgulho porque talvez as coisas ainda aconteçam.

Eu já não escrevo daquele jeito lindo e metafórico de antes, provavelmente porque eu já não tenho muito a esconder uma vez que, e essa foi a descoberta mais dolorosa dos últimos tempo, eu não tenho nada a perder. Eu queria escrever como antes, eu poderia dizer qualquer coisa banal da maneira mais bonita possível. Hoje em dia eu tenho que de fato dizer alguma coisa.

Eu quero voltar pra cá, mas eu não sei exatamente o que ainda faz sentido escrever.

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Feliz Ano Novo

No fim de 2008 eu achei que 2009 seria o ano que eu conseguiria tudo. Era o ano que anunciava as mudanças, era o ano do qual eu esperava muito.

2009 começou bem, começou sob os fogos de copacabana, com meu namorado e meu melhor amigo em um dos melhores reveillons que eu já tive. Mas em 2009 nada aconteceu, pelo menos nada do que eu esperava que fosse acontecer. Algumas coisas mudaram, eu mudei, eu vi lugares que nunca tinha visto e fui feliz. Mas fui feliz pela simples sensação de que era, porque foi um ano repleto de decepções doloridas, de dias ruins, de aniversários ruins.

Em 2010 eu estou em Nova York. Sozinha, eu não esperava nada do ano novo. O melhor amigo voltou pra longe, a melhor amiga foi para o mundo maravilhoso do intercâmbio e eu vim, ver o mundo assim, aos pedaços deixando lá em casa a única pessoa com quem eu realmente queria estar hoje.

A bola estava lá, a bola não estava mais lá, acabou o ano em NY. Acabou meu ano. Eu gosto muito de ano-novo, mas nesse, talvez pela perda da noção de tempo que a gente sempre tem quando viaja, eu não estava ansiosa, não esperava nada e pouco teria me importado de dormir. Eu sinto saudades, quero voltar pra casa, mas estou em paz. Digo, em paz com esse ano que vem. Porque dele eu nada espero.

Eu nada espero de 2010 porque é o ano em que as coisas tem que mudar, independente de mim ou de pareceristas para os quais eu desejo a morte. Em 2010 as coisas vão acabar, e eu lembro sempre daquela música que diz “closing time, every new begining comes for some other beginings end”. Eu não posso fazer nada sobre 2010, nada pode fazê-lo um ano como os outros. Talvez não seja bom, mas não vai ser o mesmo e isso me é suficiente.

Eu te espero 2010, mas eu não corro para você.

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Faz tempo que não aparecia um conto por aqui, mas a verdade é que eu ando com poucas opções nesse sentido… Mas vamos lá (feedback nesse post por favor!!)

Infância

Ela disse que era algo que havia acontecido há muito tempo, o que me soou estranho, porque ela parecia jovem demais para ter memórias de muito tempo atrás.

Mas ela tinha mesmo um ar cansado, velho, tão velho que eu quase podia ver pequenas rugas em volta de seus olhos verdes. Mas talvez fosse apenas porque ela sorria com os olhinhos muito apertados.

É engraçado, porque ela era também uma garotinha. Ela saltitava um pouco enquanto andava, batia palmas quando sorria e tinha toda uma leveza. Mas talves fosse a leveza de quem não tem laços. De alguém cujos pés não chegam nunca a tocar o chão.

Eu era muito pequena, ela continuou, e eu reparei em como ela ainda era bastante pequena. Eu era muito pequena, usava um vestido rosa acho, provavelmente rosa, eu estava na fase do rosa. E pequenos sapatinhos brancos de boneca, minúsculos. Acho que a visão desses sapatos nunca me deixou.

Eu pisava, um após o outro, amassando levemente a grama e ouvindo como por trás de um vidro o ruído das crianças que riam e brincavam na festa de aniversário. Me aproximei de uma outra menina, uma amiguinha, algo como minha melhor amiga na época.

Eu lhe perguntei porque fazíamos aniversário, ela respondeu que era porque crescíamos. Sim, eu disse, mas por que “anos”? E por que esses números e não outros? Aliás, por que números? Ela deu de ombros. Porque sim, porque é assim. Eu parei e pensei, fiquei quieta por alguns segundos, percebendo pelo olhar dela que eu deveria me contentar com essa resposta.

Foi uma lição importante aquele dia, ela disse, desviando os olhos de mim e focando o nada, um pouco triste. Essa garota foi minha melhor amiga por muitos anos. E por que não mais? Ela aprendeu a lição dela bem demais.

(ouvindo “The Fragile” *desenha um coração cheio de amor por NIN*)

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A Fazenda Africana

Eu já falei de Karen Blixen há pouquinho tempo atrás, porque todo o tempo que eu estava lendo “A Fazenda Africana” eu fiquei obcecada com ela. Com o ohar dela pelos nativos, com a força, a independência dela, a paixão sem medidas pela África e ao mesmo tempo uma maneira tão inocente de se agarrar aos costumes europeus.

“A Fazenda Africana” é repleto dos melhores personagens, o Kamante fala as coisas de uma forma tão fora do nosso pensamento, o Farah é mais nobre e mais digno que os reis que ela recebe, o líder kikuio que usava pele de leão enquanto andava de carro, o espírito livre do Denys Finch-Haton. Mas eu continuava obcecada com ela, Karen Blixen.

As vezes eu venho aqui escrever mais ou menos tecnicamente, com alguma propriedade, sobre filmes. Mas eu não tenho nenhuma propriedade para falar de livros, exceto o quanto eu gosto deles. E eu gosto muito desse “Out of Africa”, não como eu gosto Dostoievski, que grita na minha cara o quanto ele é um gênio, eu gosto da Karen Blixen afetivamente, embora ela seja também genial, durante a leitura do “Anedotas do Destino”, mas principalmente desse livro ele cresceu em mim como alguém que eu amo, amo mesmo morta e dinamarquesa e sei lá… amo porque ela torna o mundo belo. E não de uma maneira falsa-otimista-poliana (eu detesto a Poliana!), mas vendo a beleza no mundo como ele é, na morte e na dor.

Então de uma certa forma a Karen Blixen me ganhou pela identificação. Pela identificação em ver a beleza no mundo assim, exatamente como ele é, e amar a vida exatamente como ela é. Reconhecendo que ela é bem ruim na maior parte do tempo, mas amando-a por um simples amor às coisas belas.

Mas é preciso fazer jus e dizer que ela escrever maravilhosamente, de uma forma tão simples, tão dela, com metáforas que ninguém mais no mundo poderia ver e tão bem arranjado. Sabe um prédio do Niemeyer? Tão simples que é super complexo? Mais ou menos assim. E no final, quando ela deixa a África (não estou contando final nenhum, o livro chama “Out of Africa” oras) é a coisa mais triste que eu já li em toda a minha vida de leitora assídua de Charles Dickens! Não porque ela se lamente, muito pelo contrário, mas porque ela ama tanto aquele altiplano, porque ela só tem coisas lindas a dizer e ela vai ter que deixá-lo inevitavelmente. E aí está a beleza, em aceitar o trágico. Para Karen Blixen a vida não é ruim, é trágica.

Mas em bem pouco tempo minha nova obsessão vai ser Emily Dickinson, aguardem os próximos capítulos.

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